Brasil

Roteiro de 3 dias na Serra Catarinense

Todo mundo já sabe que Santa Catarina é um estado abençoado que agrada qualquer tipo de turista, né? Um litoral com praias paradisíacas a apenas 100km de uma das serras mais lindas do mundo! Isso é o resumo do nosso amado estado.

Apesar de não ter o turismo tão desenvolvido como na serra gaúcha, com milhares de opções de hoteis e restaurantes, a serra catarinense tem se desenvolvido muito nos últimos anos, e é muito comum que pessoas do Brasil todo venham para cá no inverno para tentar a sorte de ver a neve de pertinho, mas saibam que a serra catarinense é linda o ano todo, com ou sem neve! Por isso, preparamos um roteiro maravilho para você conhecer o que a serra catarinense tem de melhor para oferecer em 3 dias!

Basicamente, existem 3 cidades para que são polos turísticos: São Joaquim, Urubici e Bom Jardim da Serra, a última, a menorzinha delas, com poucas opções de hospedagem e alimentação, mas com atrações incríveis. Levaremos em conta uma viagem de carro saindo do litoral, ou seja, você irá subir a serra, e ao final, descer de volta ao litoral. Bora embarcar nessa viagem?

Dia 1: Serra do Rio do Rastro, Cânion da Ronda, Cânion do Funil e Monte Agudo

Serra do Rio do Rastro

Comece a manhã subindo a famosa Rodovia SC-390, mais conhecida como Serra do Rio do Rastro. Localizada a 1.421 metros de altura em relação ao nível do mar e 705 metros entre o pé da Serra e o mirante, foi eleita a estrada mais espetacular do mundo devido às suas 256 curvas sinuosas em um percurso de 8.100 metros. Já serviu de cenário para gravação de novelas, comerciais e filmes, além de ocorrerem corridas e eventos esportivos.

Serra do Rio do Rastro

Ao terminar a subida, pare no mirante para contemplar a vista e conhecer os guaxinins que sempre estão por lá a procura de comida! São milhares de turistas que passam todos os dias por ali, e existe um restaurante que pode ser uma boa opção para uma paradinha para um café ou ir ao banheiro.

Os guaxinins já estão acostumados a ganharem comida

Cânion da Ronda

Saindo do mirante, hora de conhecer o primeiro cânion da Rota dos Cânions: o Cânion da Ronda. A apenas 50 metros do mirante, em direção de volta à serra, fica a entrada do cânion, indicada por uma placa. É uma estrada de chão batido que leva até uma porteira. Lá, você paga R$10 por pessoa para entrar na propriedade onde fica a o cânion e os gigantescos geradores eólicos que iluminam a Serra do Rio do Rastro.

Cânion da Ronda

A trilha entre o local onde você pode estacionar o carro e a borda do cânion é de aproximadamente 150 metros e é praticamente plana. Existem dois mirantes e ambos tem uma linda vista da serra, e em dias de céu limpo você consegue ver até o litoral! A visita leva em torno de uma hora, já levando em conta o trajeto e o tempo para tirar fotos sem correria.

A trilha que leva à borda do cânion é praticamente plana

Cânion do Funil

Saindo do Cânion da Ronda, siga em direção a Bom Jardim da Serra por aproximadamente 4 quilômetros, e à direita da rodovia você vai encontrar a entrada para um dos locais mais lindos que já vimos em nossas vidas: o Cânion do Funil. A entrada é uma porteira de madeira ao lado de uma subestação de energia, e não existe indicação nenhuma, pois o local ainda é pouco conhecido. 

Nosso pequeno Jimny tornou o caminho mais curto

Para ter acesso à propriedade, é necessário fazer contato com o senhor Miguel, dono da propriedade, no telefone (49) 99127-1014, e é cobrada uma taxa de R$30 por pessoa. A trilha tem cerca de 7 quilômetros e pode ser feita a pé ou de carro 4×4.

Se você for encarar a trilha a pé, reserve 4 horas para visitar o local, levando em conta o trajeto e um tempo razoável para fazer um piquenique na beira do cânion e tirar fotos sem muita pressa. A trilha é considerada de nível médio, é praticamente plana e a vegetação é 90% baixa, apenas fique atento caso tenha chovido nos dias anteriores, pois o solo pode estar úmido e talvez você molhe os pés.

A vista lá em cima é indescritível!

Se você não tem um 4×4, você pode conversar com o Sr. Miguel. Ele oferece esse serviço e cobra em média R$300 por grupo, esse valor pode ser dividido entre 4 pessoas. Existem também agências de ecoturismo que realizam o passeio e oferecem esse traslado, como a Tribo da Serra.

Vinhedos do Monte Agudo

Se você terminar o passeio do Cânion do Funil antes das 16h, que tal curtir um momento relax e assistir o pôr do sol enquanto aprende um pouco mais sobre vinhos? Para isso, siga por cerca de 1 hora até São Joaquim, mais precisamente até a vinícola Vinhedos do Monte Agudo. 

A Vinhedos Monte Agudo é uma vinícola boutique catarinense que foi criada em 2004 e produz vinhos de castas francesas como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay, e fica localizada em um local privilegiado com uma vista incrível para o pôr do sol, e é impossível não se encantar com o que você vê por lá. A vinícola tem como principal atividade a degustação “sunset” que acontece durante o por do sol, de frente para uma das vistas mais lindas de todo o planalto catarinense. 

A degustação guiada inicia às 17h e se extende até o pôr do sol. Durante a degustação, são servidos 5 vinhos da vinícola, dentre eles um espumante, um vinho branco, dois tintos, e para o momento que o céu fica rosado, um rosé! A explicação é feita pela sommelier da casa, Thaís, que é um amor de pessoa, explica muito sobre os vinhos e tira dúvidas sobre os vinhos em geral.

Um dos locais mais lindos pra assistir o por do sol

O sunset prata custa R$65 por pessoa, com degustação de um espumante e quatro vinhos, e o sunset ouro custa R$95 por pessoa com degustação de um espumante e sete vinhos, ambas acompanhadas de uma deliciosa tábua de frios.

Nossa sugestão é dormir em São Joaquim e seguir pra Urubici no dia seguinte! Existem boas opções de hoteis para uma boa noite de sono de também de restaurantes para um jantar! 

Dia 2: Villa Francioni, Cascata do Avencal e Morro do Campestre

Villa Francioni

De café da manhã tomado, vá até a praça da catedral de São Joaquim, e se estiver frio, aproveite para fazer aquela foto clichê do termômetro! De lá, siga para outra vinícola, a Villa Francioni, uma das mais bonitas da serra. A Villa Francioni está localizada no km 300 da SC-144, rodovia que liga São Joaquim a Lages, a aproximadamente 5 km do centro da cidade. 

A maior vinícola da serra catarinense

Para realizar a visita é necessário agendar com antecedência pelo site da Villa Francioni, através do menu “reservas”. A reserva antecipada é importante para evitar que você chegue na vinícola e não encontre disponibilidade na hora, pois este é um passeio bem procurado na região.

O tour tradicional, que inclui a visita guiada e a degustação de 4 rótulos, acontece várias vezes ao dia e custa R$40 por pessoa. Já o tour com degustação na cave, que inclui a visita guiada e a degustação de rótulos da linha exclusiva Villa Francioni, ocorre apenas uma vez por dia e custa R$100 por pessoa.

Cascata do Avencal

Depois de conhecer a Villa Francioni, hora de seguir o caminho até Urubici, cidade que fica a 60 quilômetros de São Joaquim, e antes mesmo de chegar em Urubici, a primeira parada: a Cascata do Avencal, uma cachoeira de mais de 100 metros de altura. 

Recentemente foi inaugurada uma passarela de vidro sobre a cascata, tornando a vista ainda mais linda e ao mesmo tempo assustadora! A taxa para entrada na cascata é de R$10 por pessoa.

Morro do Campestre

Depois de passar pela Cascata do Avencal, você chegará ao centro de Urubici, há várias opções de restaurantes e cafés. Pertinho dali fica um dos lugares mais bonitos da cidade, o Morro do Campestre.

O local fica a cerca de 8km do centro da cidade, dentro de uma propriedade particular e por isso é cobrada uma taxa simbólica de R$5 por pessoa, o que é muito justo, pois quase todo o percurso de carro até o topo do morro é pavimentado e também a maior parte da trilha é de concreto, trazendo mais segurança, já que o vento lá em cima é bem forte. A vista de lá é incrível e nós aproveitamos para fazer um piquenique e assistir o por do sol.

No topo do Morro do Campestre existe essa rocha com um “buraco”

Aproveite as várias opções de restaurantes e pousadas para jantar e pernoitar em Urubici!

Dia 3: Morro da Igreja, Cânion Espraiado e Serra do Corvo Branco

Morro da Igreja

Comece o dia conhecendo o Morro da Igreja, o segundo pico mais alto de Santa Catarina, com 1.822  metros de altitude e é um dos lugares mais frios do Brasil, já tendo atingido em 1996 a incrível temperatura de -17,8ºC, e de lá é possível avistar a Pedra Furada, um dos cartões postais da Serra Catarinense.

Vista para a Pedra Furada

O Morro da Igreja fica em uma área de preservação permanente, e o acesso ao local é controlado pelo ICMBio. A boa notícia é que não é cobrada nenhuma taxa de visitação, porém para ter acesso é necessário requisitar uma autorização prévia. A solicitação deve ser feita pelo site oficial do ICMBio, deve ser apresentada na guarita que há na subida.

Em 2019, as visitas estão liberadas apenas aos domingos, pois a estrada que vai até o mirante está em obras, porém ainda é toda pavimentada. Ah, apesar do nome, não existe nenhuma igreja lá no topo! O local tem esse nome porque visto de um certo ângulo, tem um formato que lembra uma igreja jesuíta.

De lá, siga em direção à Serra do Corvo Branco pela SC-370.

Cânion Espraiado

Cerca de 2,7km após o fim do asfalto, você verá uma pequena placa à esquerda, indicando a entrada para o Cânion Espraiado. Siga por mais 4km e você chegará na Pedra da Águia, local que dá acesso ao Cânion Espraiado. Muita gente não sabe, mas o Brasil tem alguns dos mais belos cânions do planeta! A serra gaúcha e a serra catarinense tem dezenas de paredões gigantescos, alguns com acesso mais fácil, outros, nem tanto, como o Cânion Espraiado. Localizado a 35 km do centro de Urubici, na serra catarinense, o imponente Cânion Espraiado tem penhascos verticais de mais de 500 metros de altura. É lindo e ao mesmo tempo assustador!


A entrada para a estrada que leva ao cânion fica em um local conhecido como Pedra da Águia, e como o cânion fica dentro de uma propriedade particular, é necessário pagar o acesso à propriedade, pelo valor de R$20 por pessoa, lá mesmo na entrada. No dia que fomos, os responsáveis estavam na borda do cânion e acabamos conversando com eles lá em cima mesmo. Até a Pedra da Águia você consegue chegar tranquilamente de carro. Se neste trajeto você encontrar alguma porteira fechada, não se preocupe, é só abrir e continuar até chegar na cabana aos pés da Pedra da Águia.

Depois dali a estrada fica ruim e só há duas formas de chegar lá em cima: a pé ou de carro 4×4. São 9km de uma trilha de nível dificílimo, são muitas pedras e lama! Prepare-se para caminhar aproximadamente 3h30min e vá preparado para uma escalada! Ah, você pode encarar a caminhada e torcer para alguém passar de 4×4 com lugar vago para você pegar uma carona!

A trilha tem 11km de lama caso tenha chovida

Se você tiver um 4×4, prepare-se para uma aventura. Na semana que fomos havia chovido e tinha muita água na estrada. Cruzamos com alguns carros retornando pois não conseguiram subir. Veículos SUV com tração 4×4 sem reduzida não conseguem subir, pelo menos nas condições em que a estrada se encontrava quando subimos! Nosso carro é um Suzuki Jimny com tração 4×4 reduzida e pneus Mud-Terrain e ainda assim passamos muito trabalho pra subir! Tinham pedras maiores que a roda do carro!

Também é possível contratar a visita guiada em que próprio pessoal da propriedade te leva, os valores você pode verificar com eles pelo número (49) 99171-2500.

O Balanço Infinito com vista para o Cânion Espraiado

O Cânion Espraiado ficou conhecido pela famosa foto no balanço infinito, que fica em um ponto mais alto da propriedade. A vista lá de cima é linda, porém ele fica um pouco distante da borda do cânion. Se quiser chegar lá, a taxa de acesso é de R$25 por pessoa e mais 1h de caminhada. Se estiver de 4×4, dá pra chegar bem pertinho dele com o carro.

Serra do Corvo Branco

Depois dessa aventura no Cânion Espraiado, é só seguir pela SC-370 em direção à Serra do Corvo Branco. Ela foi a primeira estrada a ligar a serra ao litoral. O principal atrativo da Serra do Corvo Branco é a parte conhecida como “garganta”, onde a estrada atravessa dois imensos paredões com 90 metros de altura, o maior corte em rocha do Brasil! Passando esse trecho, começa uma descida numa pista estreita, com curvas acentuadas nos mais diversos ângulos e inclinações. A estrada já foi considerada uma das mais perigosas do Brasil, por isso é preciso ter muito cuidado ao descê-la.

A garganta

Geralmente em caso de chuva ou neve a pista é fechada, e também não é muito seguro descer ou subir a noite, pois não há iluminação. Portanto, programe-se para chegar à “garganta” antes das 17h.

Gente, assim finalizamos nosso roteiro de 3 dias pela Serra Catarinense. Ele é só uma uma sugestão e você pode alterá-lo de diversas maneiras, porém já fomos diversas vezes para essa região e esse roteiro é uma ótima forma de conhecer o que achamos mais interessante e em relativamente pouco tempo. Dúvidas ou sugestões? Manda pra gente no Instagram!

@duasmalaseumdestino